Intercâmbio: Universidade de Yale (EUA) & Agricultores

Na terça-feira (06/março), alguns agricultores tradicionais de Taboquinhas, Itacaré e Serra Grande, que participam do programa Turismo CO2 Neutro, receberam a visita de um grupo de pesquisadores da Universidade de Yale (EUA). O encontro aconteceu na propriedade rural de “Seu Raimundo“, nos arredores de Serra Grande. Antes de visitarem nossos agricultores, os pesquisadores fizeram uma imersão de 2 dias de estudos, dentro do Parque Estadual Serra do Conduru-PESC, com o apoio da equipe do Instituto Floresta Viva.

Com o apoio de Claudio (Fazenda Alto da Boa Esperança), os pesquisadores Jef, Lee, David, Patrick, Raquel, Sharon, Danielle, Rayan, Aline, Theo e o Professor Marco (todos da Universidade de Yale-EUA) e Letícia (UESC-BA), chegaram na propriedade de “Seu Mundinho” e já foram se confraternizando com os agricultores.

Também estavam presentes Raquel, Xavi e Carles, estudantes de ciências ambientais da “Universidade de Girona” (Catalunha/Espanha), e Iza (Engenharia Florestal/UNESP/Botucatu) que, através de um intercâmbio com o “Movimento Mecenas da Vida”, estão realizando seus trabalhos de conclusão de curso.

Inicialmente, a equipe do “Mecenas da Vida” fez uma explanação objetiva sobre o funcionamento do programa “Turismo CO2 Neutro”, com o envolvimento de famílias de agricultores tradicionais e empresários locais, e sobre a atuação da instituição dentro da “Área de Proteção Ambiental Itacaré/Serra Grande-APA”.

Os pesquisadores de Yale, dedicados a várias áreas de interesses que abrangem ecoturismo, ecologia social, engenharia florestal e gestão ambiental, fizeram diversas perguntas aos agricultores, ligadas a temas como: questões sociais, experiências de reflorestamento, agricultura familiar, mudanças da terra, desafios locais etc.

Aos poucos, agricultores de Taboquinhas, Itacaré e Serra Grande (Edigley, Edivaldo, Miguel, Antonio, Daniel, Raimundo, Gilberto, Ronildo) foram respondendo e expondo ha quanto tempo suas famílias estão na região; como trabalham as suas áreas (agricultura tradicional de baixo impacto ambiental) e quais são as características de seus SAF’s (sistemas agroflorestais) e de seus viveiros, e qual é a relação deles com as cabrucas de suas propriedades; quais são os produtos e sub-produtos que mais produzem.

No momento seguinte, os agricultores deram depoimentos que revelaram aos pesquisadores de Yale como, de maneira inconsciente, antes de participarem do programa “Turismo CO2 Neutro”, degradavam as suas florestas em busca de renda para a sobrevivência, utilizando técnicas altamente impactantes, como queimadas e desmatamentos para o cultivo e comercialização da mandioca, cultura que empobreceu o solo demasiadamente.

Depois, prosseguiram falando sobre a importância do trabalho das instituições ambientais locais, tais como o “Mecenas da Vida”, em fixar o homem no campo, principalmente os jovens, mostrando a eles como as práticas orgânicas podem reduzir pragas e recompor o solo; mostrando às famílias que muito daquilo que jogavam fora no campo, elas podiam consumir e vender na feira; mostrando ao agricultor que aquilo que ele chamava de lixo e queimava (biomassa) podia e devia ser usado na produção – e concluíram: “Temos que dar descanso pra terra, e saber que a Terra é uma Mãe”.

Os pesquisadores quiseram saber a respeito dos “desafios do dia-a-dia” das famílias. Logo os agricultores elencaram: solo fraco, pragas, pouca oferta local de insumos orgânicos, produzir com regularidade, e a logística (levar os produtos e sub-produtos produzidos até o ponto de venda).

Em seguida, também quiseram saber quais as dificuldades, ou mudanças, que as leis ambientais trouxeram para a vida do agricultor familiar? Segundo os agricultores, a legislação só visou à conservação da floresta, e não ofereceu recursos para as famílias permanecerem em suas áreas; com isso, muitos agricultores venderam suas propriedades e foram embora. Por outro lado, os agricultores reconhecem que as leis evitaram a destruição de tudo, e impediram que as famílias que permaneceram tivessem, hoje, “só terra seca”. O problema, portanto, não está na existência de uma lei ambiental; mas sim na ausência de uma lei que concilie “conservação da floresta & o povo que vive nela, e dela”.

Após uma reflexão sobre os incentivos financeiros, os agricultores concluíram afirmando que, sem isso, é muito difícil para as famílias não degradarem suas florestas. Ademais, eles associaram a possibilidade das suas participações dentro do programa “Turismo CO2 Neutro”, assim como a conseqüente adoção das práticas conservacionistas em suas áreas, ao fato de que, através desse programa, eles podem receber a “Bolsa Conservação” todos os meses e, com isso, podem se dedicar livremente à conservação das suas florestas e comparecer, regularmente, às atividades do projeto. – Daí a importância do empresário local, especialmente ligado à cadeia produtiva do turismo, aderir ao “Turismo CO2 Neutro”, pois isso, sem dúvida, colabora muito para a conservação da natureza e da paisagem local, principal fator de atração turística da nossa região.

Por último, foi a vez dos pesquisadores de Yale responderem à curiosidade dos agricultores locais: E do lado de lá? Quais são as dificuldades que os pequenos agricultores dos Estados Unidos passam? Ao final, nossos agricultores descobriram algumas similaridades nos desafios que os produtores familiares de lá enfrentam: dificuldade de aceitação do produto orgânico no mercado; regularidade de produção orgânica; e também a logística.

Claro que uma longa manhã de intercâmbio abriu o apetite de todo mundo! Vamos comer? Mas antes, um momento de gratidão pela oferta do alimento.

Que tal uma “feijoada vegetariana”? Se for acompanhada de salada e suco de frutas locais, melhor ainda! A galera de Yale não perdeu tempo em conhecer a novidade!

Na parte da tarde, ainda sobrou tempo pra uma visita à trilha de “seu Mundinho”, onde mora um majestoso Pequi, merecedor da nossa silenciosa contemplação, fechando o encontro de intercâmbio com “chave de ouro verde”.

Na última sexta-feira (09/ março), os pesquisadores de Yale se reuniram com os técnicos do Instituto Floresta Viva e do Movimento Mecenas da Vida no viveiro SOS Mata Atlântica & Floresta Viva, localizado nos arredores do PESC-Parque Estadual Serra do Conduru. Os pesquisadores apresentaram um resumo da realidade que encontraram, trazendo suas percepções do período, e as informações gerais sobre as diferentes linhas de pesquisas que executarão, nos próximos meses, visando contribuir com os trabalhos de conservação ambiental executados dentro da APA Itacaré/Serra Grande. Entre as linhas de pesquisa estão: dinâmica de uso e ocupação do solo; restauração florestal; desenvolvimento rural; ecoturismo; projetos de crédito de carbono.

O encontro também serviu para que os técnicos do Floresta Viva e do Mecenas da Vida pudessem colocar suas opiniões, e sugestões, a respeito do que poderia ser aprofundado nessas linhas de pesquisa. Certamente, essa foi uma troca de conhecimentos muito rica e que trará bons resultados num futuro próximo!



Trabalhamos para democratizar a conservação ambiental e integrá-la ao desenvolvimento humano.

Reconhecidos pela UNESCO!

Nossas Parcerias

Rede nas parcerias institucionais, com os colaboradores e com os participantes Turismo CO2 Legal!

Conheça-os!

Rede Colaborativa

  • Saiba como cooperar, solidarizar, agir sinergeticamente, participar, otimizar, sustentar-habilidades...

    LEIA +

  • 1
  • 2
  • 3
  • 4

Contato

  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
  55 + (73) 9996-1575
  Rua Marquês de Paranaguá, 200 - Caixa Postal 209 - Centro, Ilhéus (BA) - Brasil - CEP.: 45653-970