09.fev.2010
Acompanhe o final do I Estágio Vivência Mecenas da Vida.
No dia 11 de fevereiro foram encerradas as atividades do I Estágio Vivência Mecenas da Vida completando o período de 1 mês de intensa troca entre estudantes universitários de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e voluntários da Espanha com as famílias de agricultores tradicionais que participam dos programas Turismo CO2 Neutro e Mecenas da Vida. O Estágio foi marcado por momentos de intercâmbio cultural, de aprendizados em grupo, de colaboração mútua, de troca de informações técnicas e de muito crescimento pessoal.


Ao contrário do que aparenta sua suposta calmaria, a “roça” guarda um celeiro de ensinamentos para quem nela entra disposta a aprender. Foi com o propósito de revelar esse celeiro que o Movimento Mecenas da Vida desenvolveu o Estágio Vivência, e foi com esse propósito que os universitários vieram “experienciar” o desafio desse celeiro. O resultado disso pôde ser traduzido na avaliação de campo e na avaliação geral que foram realizadas nos últimos 4 dias do estágio pelos agricultores, pelos universitários e pela equipe técnica do Mecenas da Vida.
“Nunca imaginei que ia passar uma experiência assim na vida. Encontrei um monte de gente querendo ajudar e querendo aprender. Nunca imaginei que ia ser assim, que ia conhecer roça de cacau, de mandioca… Espero, quando eu puder, voltar. Vou sentir falta. Não sabia que a nossa presença fosse tão importante para os agricultores.” Gustavo, estudante de Direito.
“Foi muita coisa que aconteceu. Eu sempre quis fazer isso e ultrapassou as minhas expectativas. Me mostraram que o sistema agroforestal dá certo, quando na faculdade me ensinam o contrário. Me senti em casa, em família. Ainda não consigo expressar tudo o que aconteceu”. Kamila, estudante de Engenharia Florestal.
“Boa parte da nossa comunidade teria que participar de uma atividade de integração e simplicidade como essa”. Miguel Bonfim, agricultor tradicional.
“Acho que ninguém sabia o que realmente ía encontrar. Mais que conhecimento profissional, o que encontramos foi crescimento pessoal. Uma grande lição de vida é o espírito de coletividade que os agricultores tem, deixar a própria roça para ir ajudar os outros! Tudo o que aconteceu aqui será lembrado para sempre”. Marcel, estudante de Engenharia Agrícola.
“Ivo (agricultor) foi pai e mãe, sempre preocupado e cuidando da gente. Lá no Cuiudo não se precisa de telefone, é só dar um grito e todo o mundo escuta!” Vanessa, estudante de Agronomia.
“Para mim foi uma benção ter esse casal de estudantes comendo comigo, bebendo o meu café e dormindo na minha casa”. Ivo, agricultor tradicional.
“Foi uma experiência e tanto, que vai ficar para o resta da vida.” Bruno, estudante de Engenharia Ambiental.
“O Seu Beca (agricultor) teve muita paciência… ele dava um sorriso irônico quando me via pegar na enxada. Na casa do Edi (outro agricultor), a primeira vez que eu sentei com eles para ensinar matemática, vi que eles têm muita vontade de aprender e acabamos brincando de escola. Aprendi a fazer cocada e me senti uma autêntica baiana! Me senti muito bem acolhida.” Jéssica, formada em Biologia, estudante de Mestrado.
“A gente não ensina, a gente aprende, e com a convivência todos aprendemos. Eles vieram para encher as mãos, eles não vieram para voltar de mãos vazias. Sei que eles vão voltar lá e vão representar o que eles encontraram aqui”. Seu Beca, agricultor tradicional.
“Quando a gente recebe pessoas em casa, valoriza a vida do agricultor”. Edi, agricultor tradicional.
“Acho que eu fui muito mimada quando eu fiquei doente aqui… Aprendi todos os chás! Aprendi a “ligar” o fogão à lenha. A gente achou que seria mais difícil aprender a viver sem energia elétrica, sem água potável por perto e sem banheiro, mas foi bem tranqüilo. Foi uma experiência muito intensa.” Isabela, estudante de Biologia.
“Eu vim buscar uma coisa, aprender a plantar, mas também acabei encontrando uma família. O Valmir (agricultor) é um paizão, forte e corajoso. Vou levar uma saudade muito grande e já prometi que vou voltar”. Rafael, estudante de Arquitetura.
“Tem companheiros meus que morrem de medo de construir uma nova casa, mais ampla. Agora com as novas técnicas agroflorestais e ecológicas eu não tenho mais”. Valmir, agricultor tradicional.
“Eu vim buscar experiência profissional e pessoal e encontrei as duas! Profissionalmente eu me aproximei mais da terra, e pessoalmente ainda tenho muito que refletir… Na casa de Carlos (agricultor), tudo de melhor era pra gente…” Juliana, estudante de Agronomia.
“Não ter energia elétrica não foi nenhum problema. Tomar banho na bica é melhor que o banho de chuveiro. Não tive nenhuma dificuldade que não desse para eu passar. Quero voltar.” Eduardo, estudante de Engenharia Agrícola.
“Não tenho o que dizer deles, são maravilhosos.” Carlos, agricultor tradicional.
“O quê eu vim buscar, acho que eu achei. Todo o mundo me recebeu muito bem. Quero muito voltar. Já falei que eu vou trazer a minha irmã. Aprendi muito da força deles. Aprendi a me aproximar mais da terra e dos meus limites”. Carolina, estudante de Agronomia.
“Eu vim buscar umas coisas e achei outras. Acho que tanto agricultores como estagiários, cada um no seu contexto, estamos numa rotina, numa linha continua e reta. Quando essas linhas se encontram as rotinas mudam, muitas coisas mudam, se reestruturam e cada realidade aprende da outra. Eu vim para entender a política do Mecenas da Vida, mas vi que está tudo baseado na simplicidade, num trabalho mais profundo”. Tiago, estudante de Biologia.
“Eu não sabia como seriam os estagiários que vinham. Eles contribuíram bastante no meu dia-a-dia, na horta, fazendo contribuições para melhorar a minha propriedade. Eu gostaria que ainda fosse o começo do estágio. Eu nunca vi tanta gente na minha propriedade.” Tiago, agricultor tradicional.
“Sem falar português eu aprendi como vive a gente daqui, que é diferente de onde eu moro. Achei muito legal chegar aqui e as pessoas abriram as portas das suas casas para alguém de fora. Gostaria de falar mais português para me expressar melhor”. Juan Carlos,voluntário catalão (Espanha).
“Nunca vi tanta gente diferente lá em casa. E quando todos foram lá em casa fizeram um bom trabalho, ainda que alguns tivessem cortado o que não era pra cortar… (risos) Mas, pouco a pouco se aprende.” Cleilson, agricultor tradicional.
“Fui acolhido como um filho. Os agricultores foram pai e mãe, mas também grandes amigos. Os pequenos fizeram a gente se sentir crianças de novo. Todos os dias eu reclamava das caminhadas, mas valorizo muito a união dos agricultores trabalhando em mutirão e do trabalho duro da roça”. Rafael, voluntário de Santos (SP).
“Foi uma experiência muito rica por tudo diferente que eu consegui viver”. Marga, voluntária catalã (Espanha).
“Esse casal de meninos é como se fosse um casal de filhos que mora lá fora e veio para passar uns dias com a gente, e quando eles forem embora vão deixar muita saudade para mim, para minha esposa e para os meus filhos”. Pedro, agricultor tradicional.
A hora da despedida chegou, os estagiários se foram e as suas contribuições permaneceram nas propriedades rurais e nas histórias de cada uma dessas famílias de agricultores que os acolheram. Mais que promover intercâmbio técnico e cultural, mais que trazer melhorias para dentro das propriedades e para a vida das pessoas que vivem nelas, mais que possibilitar crescimento profissional, o Estágio Vivência traz em si a habilidade de trabalhar aspectos mais profundos e essenciais da jornada humana, fazendo com que cada um se perceba a partir de sua própria capacidade criadora, de seu próprio poder de transformação e crescimento e, sobretudo, fazendo com que cada um sinta a importância da conectividade entre tudo e todos – assim funciona a natureza.
“Não nos afastamos de verdade nem um passo de casa
até que tenhamos nos estabelecido com a visão do outro.”
(por John Erskine)
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